Por Angela Cristiana
Seria cômico se não fosse trágico, saber que hora estamos sorrindo para alguém e logo após podemos estar chorando por esse mesmo alguém. Lidar com a linha tênue entre viver e morrer, nem sempre é fácil, aliás nunca é, mesmo que quem se vá não seja um dos nossos. O dia a dia dos plantões em unidades hospitalares e intensivas, sempre serão de perdas e ganhos, mais perder nunca é uma escolha. Sempre existirá os esforços e os que se esforçam para que não haja perdas, pessoas determinadas em garantir que nós não percamos nossos “amores”.
Esses mesmos que estão ali ao pé do leito lutando pela recuperação de outros, são os mesmos que deixam em suas casas os seus amores para cuidar dos nossos, profissionais treinados a ganhar, mas capacitados a lidar com as perdas. Não que os mesmos não sofram quando existe essa baixa, a dor para com os familiares é existente dentro de cada um, mesmo que não seja externalizada.
Não existe uma fórmula capaz de minimizar a dor de ver alguém partir, ou uma fórmula de maximizar a felicidade de ver alguém nascer, são sentimentos carregados de sensações únicas, de intensidades imensuráveis. Nem todos os indivíduos têm a capacidade de se colocar no lugar do outro, por vezes desqualificam os sentimentos alheios, brincam, debocham. Esquecendo que, dia ou outro poderá estar na mesma condição. Como não existe um “manual” ou “formula” para lidarmos com sentimentos intensos, que saibamos então ser empáticos, nos colocando na posição do outro, como diz o ditado popular: o que não quero para mim, não posso desejar ou fazer ao outro. Enquanto nós seres humanos dotados de inteligência emocional, não buscarmos condições favoráveis para o entendimento das emoções, não saberemos lidar com as mesmas sem prejuízo, mesmo que seja pouco sempre haverá danos.
Então, que possamos ser um aperto de mão, um sorriso, um abraço, um afago, um carinho, uma palavra, pois essas são algumas das formas de acolher e mostrar o quão podemos ser “humanos” nesses momentos. A quem recebe pode ser o porto seguro em meio a grande turbulência de emoções vividas, a quem se doa, a sensação de missão cumprida e de satisfação será única.
Psicóloga Clinica e do Trabalho: Angela Cristiana Cabral Rodrigues
CRP: 18/06081

