Com o avanço das operações de barter, distribuidoras assumem o risco de crédito no agronegócio e buscam na securitização uma alternativa para garantir liquidez, reduzir exposição financeira e sustentar o próximo ciclo produtivo.
Da assessoria
As revendas de insumos agrícolas em Mato Grosso e Minas Gerais enfrentam um desafio que vai além das vendas: o risco de crédito. Ao realizar operações de barter, em que o produtor paga pelos insumos com a entrega de grãos na colheita, a revenda passa a assumir, na prática, o papel de financiadora.
Segundo o 7º Levantamento Nacional da Distribuição de Insumos, publicado pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV), essas empresas já financiam uma parcela significativa da safra brasileira, o que exige uma gestão financeira rigorosa para evitar rupturas no ciclo produtivo.
Essa necessidade de capital é ainda mais evidente em Mato Grosso. De acordo com o Informativo de Conjuntura Econômica da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), o estado possui a maior capacidade de investimento do país. No entanto, a dependência de recursos próprios pode limitar o crescimento das distribuidoras. Para contornar esse gargalo, o setor tem recorrido à securitização, estratégia que transforma os valores a receber dos produtores em recursos imediatos, captados junto a investidores.
Na avaliação de especialistas do setor financeiro, essa mudança permite que a empresa foque na assistência técnica ao produtor, enquanto a gestão do risco é transferida ao mercado. Para Rodrigo Santos, head do Semear Banco de Investimento (SBI), a estratégia traz mais previsibilidade ao caixa.
“O objetivo é permitir que a revenda deixe de atuar como ‘banco’ do produtor e retome seu papel como braço tecnológico do campo. Ao securitizar esses recebíveis, retiramos o peso do risco de crédito do balanço da empresa e injetamos liquidez no setor. Isso dá liberdade para o empresário planejar o próximo ciclo sem ficar exposto às oscilações de crédito”, explica.
Nesse contexto, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) desempenham um papel importante, funcionando como fontes de recursos para financiar produtores de diferentes portes. Ao adotar essas ferramentas, as revendas de Mato Grosso modernizam sua estrutura financeira e garantem que tanto os insumos essenciais quanto a renovação de frotas de máquinas e equipamentos cheguem ao campo no momento certo, com a proteção exigida pelo cenário atual do agronegócio.
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