A Polícia Federal lançou nesta sexta-feira uma ampla operação contra uma rede formada por inspetores sanitários e grandes frigoríficos para vender carne e outros alimentos adulterados tanto para o consumo interno quanto para exportação.
Entre os investigados, figuram executivos de grupos importantes como JBS – dona das marcas Big Frango e Seara Alimentos – e BRF – dona da Sadia e Perdigão -, de acordo com os processos revelados pela justiça federal de Curitiba, base da operação.
As ações destas empresas registravam forte baixa na Bolsa de São Paulo. No meio da manhã, a JBS caía 6,01% e a BFR 5,65%, enquanto o índice Ibovespa dos principais valores retrocedia 0,17%.
A operação, fruto de anos de investigações, mobilizou 1.100 agentes para executar 309 ordens judiciais, incluindo 27 de prisão preventiva, em sete estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e o Distrito Federal.
“Os funcionários públicos (…), mediante o recebimento de propinas, facilitavam a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem realizar qualquer inspeção”, indica um comunicado da PF.
Os produtos adulterados eram vendidos no mercado interno e no exterior.
Na lista de pessoas investigadas, figuram Flavio Cassou, executivo da JBS, assim como Roney Nogueira dos Santos, gerente de Relações Internacionais da BRF, e José Roberto Pernomian Rodrigues, diretor e vice-presidente dessa firma, de acordo com o comunicado da Justiça do Paraná.
A JBS indicou, em um comunicado, que três de suas unidades de produção (uma no Paraná e duas em Goiás) foram revistadas, mas destacou que “não houve qualquer medida judicial contra seus executivos” e que a sede de São Paulo não foi revistada.
Assegura, além disso, que “a JBS no Brasil e no mundo adota padrões rigorosos de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentícia e a qualidade de seus produtos”.
A BRF não se pronunciou até agora sobre os procedimentos policiais.
O ministério de Agricultura convocou uma coletiva de imprensa para as 16H00.
“Trata-se da maior operação da história da PF”, indicou a instituição em um comunicado.
A operação foi apelidada “Carne Fraca” em referência à expressão popular que “demonstra a fragilidade moral dos agentes públicos que deveriam velar pela qualidade dos alimentos”, explica o comunicado.
AFP
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